Tuesday, September 30, 2008

just like a computer

Alguns dos meus pensamentos transformados em palavras reais:

"Minha memória deveria ser assim, exatamente igual à de um computador. Aquilo que tenho orgulho de ter feito eu guardaria na pasta: "Arquivos Especiais", que estaria sempre ligada ao meu inconsciente, embora completamente acessível, a qualquer hora do dia para me fazer sorrir quando eu começasse a achar que a vida é uma droga ou para me fazer suspirar por alguém que realmente merece ser lembrado. (Em doses saudáveis, sem que a alegria se transforme em angústia, caso essa memória não faça mais parte do meu presente). Em outra pasta, que poderia nomear por "Arquivos de Rotina", eu colocaria as memórias do meu dia-a-dia, que não me fazem mais triste, nem menos feliz, entretanto, estão aqui para me fazer lembrar o quão difícil ou fácil foi passar por certas situações, e eu aprenderia muito mais com meus passos dados em falso ao longo do caminho. E pra finalizar, à ultima pasta eu daria o nome de "Lixeira"(exatamente igual àquela do meu computador), e tudo aquilo que já me fez algum mal, que me proporcionou olheiras mais profundas, um pouco menos de cabelo, unhas roídas e olhos inchados, eu jogaria lá dentro e ordenaria ao meu cerébro que levasse o lixo pra fora."



Admito que achei essa idéia um tanto quanto ingênua quando pensei nela de imediato, mas depois de vê-la formulada eu até fiquei com vontade de tentar...

Monday, September 29, 2008

em memória de uma grande alma


Não posso afirmar se todos os seres vivos desse planeta em meio às suas tão estúpidas e efêmeras existências possuem algum tipo de ardor por conhecimento, por tornarem-se um pouco menos ignorantes do que já são, por imortalizarem em suas memórias a existência de alguém que foi muito além do que uma simples rotina consuetudinária, sem cores e sem marcos. Entretanto, posso afirmar que mesmo ainda tendo muito o que conhecer, eu sempre tentei fazer o possível e o impossível para reconhecer a luz ofuscante que algumas sábias pessoas deixaram nesse mundo ao partir. Machado de Assis não morreu e não morrerá jamais, pois hoje ele completa, sem dúvida alguma, cem anos de imortalidade dentro dos corações de numerosos brasileiros que ainda apreciam intensamente seus dons literários, e com um gostinho de saudades platônicas, eu me incluo nesse grupo de leitores e entrego alguns minutos do meu dia em homenagem à esse ilustre mestre da lingua portuguesa. Machado de Assis é, indubitavelmente, sinônimo de eternidade.


"Tu eras perfeito nos teus caminhos, desde o dia da tua criação." - Dom Casmurro.

Thursday, September 25, 2008

desassossego constante

Já que sou eu que assino o final de cada droga de post nessa droga de blog, não há nada de errado em escrever um pouco sobre mim mesma, há? (Pergunta retórica, claro.)


Eu tenho plena consciência de que para se viver em sociedade e aguentar os trancos diários a que somos submeditos é extremanente necessário que tenhamos uma certa dose de equilíbrio emocional. Mas que raios de coisa difícil de se conseguir! Eu acho que já estou tão intensamente saturada de informações e sensações me atacando por todos os lados que já não tenho mais controle sobre mim mesma e o troco se reflete na minha saúde... Se eu não conseguir me centrar nesses dois últimos meses que eu tenho antes de fazer aquela droga de prova que me desespera desde o ínicio do ano, quando for a hora eu já serei uma completa hipocondríaca. Eu sei que meus problemas não são o fim do mundo e é exatamente isso que me frusta! Se uma coisa tão fútil como uma prova de vestibular consegue fazer todo esse estrago psíquico e emocional comigo, eu fico me indagando quando algo sério de verdade estiver por acontecer.... Agora mesmo eu tenho trilhões de coisas pra fazer, mas a ansiedade dentro de mim anda me corroendo! Precisava de um tempo pra tentar colocar tudo isso pra fora de um jeito ou de outro. Meus dedos sobre o teclado se manifestam antes que eu consiga enviar alguma informação formulada até o meu cérebro e a sensação que tenho é a de que eu andei usando todos os tipos de drogas mais pesadas mesmo que nunca tenha colocado um simples cigarro na boca e tenha asco desse tipo de coisa. É como se meu próprio organismo estivesse me enviando um pedido urgente de socorro, para que eu pare de ser estúpida ao ponto que tenho chegado. Mas que merda... sei que vou me arrepender desse post impetuoso quando estiver em completo estado de sanidade, mas agora o relógio é meu inimigo e eu tenho uma aula pra assistir e o mundo não pára por minha causa.

Friday, September 05, 2008

o direito de se ser quem se é

Tenho quase certeza absoluta de que não existe nada que me irrita mais do que aquela antiga frase: "Pára de reclamar, tem tanta gente pior do que você!" Eis aqui uma dica: Se você tem algum amor pelos seus ouvidos nunca diga isso pra mim, a menos que queira me ver incorporando a alma de um fascista exarcerbado. Essa ignorância me proporciona asco. Por Deus, já é hora de as pessoas aprenderem a ter um pouco de bom senso! Não é porque eu não nasci na Somália ou na Etiópia e não passo fome diariamente que eu não tenho o direito de chorar, que eu não tenho o direito de dizer que já sofri na vida, que alguma coisa me machuca ou até mesmo que certas coisas que acontecem comigo não são justas. Afinal, acho que a "culpa" de não ter o mesmo tipo de sofrimento que algumas pessoas já tiveram não é minha. Eu continuo sendo humana mesmo que não passe fome, mesmo que tenha pai e mãe, mesmo que estude em colégio particular e possa ir ao cinema aos fins de semana com os amigos. Não é porque eu reclamo sobre alguns aspectos que eu não dou valor àquilo que tenho, são coisas completamente distintas. Eu não vou deixar de ser humana devido as minhas condições de existência. Cada um sabe aonde dói mais forte dentro do peito, cada um sabe aonde o seu orgulho machuca, isso é fato e deve(ria) ser respeitado. Tudo depende de um referencial, tudo é extremamente relativo. E se você não tem tato pra lidar com as pessoas, o melhor que você tem a fazer é calar a boca. Acho que já passou da época de venderem semancol nas farmácias.

Saturday, July 26, 2008

simples e fácil (não)

O mais surreal sobre o amor é que mesmo que ele possua toda essa fama desalentadora sobre angústia, as pessoas não abandonam o ímpeto de amar quando possuem tal opotunidade e nem mesmo tentam se esquivar quando ele te prende contra a parede. Talvez seja porque é gostoso em demasia poder sonhar com a felicidade personificada, seguindo-nos por toda a parte e garantindo chuvas de sorrisos involuntários. E quanto ao maldito sofrimento, a gente dá porrada depois, porque convenhamos, felicidade é uma delícia.

"I want you near, like a shadow in my way"

Friday, July 25, 2008

couldn't be better

Ele foi despedido ontem à tarde enquanto alguém roubava seu carro lá fora. A namorada o havia deixado na terça-feira, seu tcc não foi aprovado pela banca da faculdade na semana passada, e pra piorar, chovia absurdamente enquanto ele caminhava de volta pra casa depois de descobrir que fora ao supermercado sem levar a carteira. E é nessa hora que ele se pergunta: "O que mais poderia dar errado?" E é aqui que eu respondo: Oh baby, pare de invocar a Lei de Murphy! Já que você (obviamente) está na merda, pra que querer ficar mais na merda ainda? Aproveite a falta de compromisso ao menos uma vez na vida e vá se embebedar ao som de um bom e velho rock and roll com uma daquelas garrafas de vinho francês que há tanto tempo você tem guardado para alguma droga de ocasião especial que nunca chegou. Aumente o som no último, e não desligue a menos que seus vizinhos chamem a polícia. Frite batatas e as coma com queijo sem se importar com quantos abdominais você terá que fazer depois pra perder essas calorias a mais. E por fim, coloque um sorrisão abestalhado na cara e invoque a Lei de Murphy inversa, dizendo para si mesmo: "Não podia estar melhor!". E só DEPOIS disso ouse sair de casa para procurar outro emprego, comprar outro carro e arrumar outra namorada. Mas por favor, não seja burro o suficiente de ir fazer isso enquanto ainda estiver sob o efeito do vinho francês.

Monday, July 21, 2008

eu não te conheço, mas odeio você.

Eu não tenho a mínina idéia de quem você seja. É, não tenho a menor noção. Não sei aonde você mora, não sei das coisas que você gosta, não sei se já sofreu na vida ou se sempre foi a filhinha da mamãe. Não sei sua idade, não sei se o seu cabelo é tingido ou se é natural. Não sei se já passou fome alguma vez na vida, não sei como é seu humor, se morre de cólicas todo mês, se trabalha, se faz faculdade ou qualquer droga desse tipo. E também não sei se você se importaria ou não, se soubesse que eu te odeio. De verdade, eu não sei. Mas eu odeio você. Você tirou de mim aquilo que eu sempre tentei guardar à sete chaves, aquilo de mais precioso, que eu mais tinha medo de perder. Não duraria muito, de qualquer jeito, mas eu sempre me recusei a acreditar de que um dia ele iria embora, me recusei a acreditar que alguém fosse capaz de tira-lo de mim. E você tirou. O seu encanto venceu o meu, de todas as formas, e fez com que todas as promessas que um dia ele me havia feito fossem jogadas para o alto (e agora, provavelmente direcionadas para você), junto com um último beijo e só o que ficou foi a minha incansável e estúpida espera por outro telefonema. Eu não consigo mais ouvir o nome dele sem pensar em você, sem pensar no quanto eu odeio você. Eu não consigo mais ouvir histórias de amor recíproco porque me dói lá dentro. E também não consigo mais sorrir, sabe? Quando tento, o meu sorriso fica deformado, falso. Porque a angústia que você me faz sentir é muito maior do que qualquer tentativa de estampar o símbolo da felicidade no meu rosto para que os desconhecidos pensem que sou feliz. Já faz tanto tempo que tavez ele nem se lembre mais, mas eu me lembro nitidamente das noites passadas em claro, querendo desesperadamente ir pra rodoviária e pegar o primeiro ônibus ao encontro dele, e dizer tudo aquilo que guardei comigo durante tanto tempo, e que a cada dia, me machucava mais. Mas quando penso em como essa cena seria ridícula, o que me resta é a solidão, a noite, a insônia, e o meu ódio por você. Algumas vezes cheguei a gritar durante a noite, mordendo o travesseiro para abafar os soluços de dor, sabia? É claro que você não sabia, e tampouco sabe agora. Alguns meses depois, minhas lágrimas secaram, mesmo com as lembranças ainda vivas e o cheiro dele impregnado em tudo que eu tocava. E eu cheguei a pensar que estava curada, já que "o tempo cura tudo", não é? O cacete que cura. Deixei de chorar porque não tinha tempo para tal, pois ocupava meus dias ao máximo pra que meus pensamentos não caissem sobre ele outra vez...


Agora, devo admitir que não odeio você, contudo, poder culpar-te pelas dores que me sufocam é de um alívio enorme para mim. Mas na verdade, o que eu sinto por você é pena, porque um dia, minha dor será sua e você culpará incessantemente à alguma outra que também haverá de sofrer depois de você.

Saturday, July 19, 2008

conhece o famoso questionário clichê?

01. Nome:
Daniella.

02. Apelido:

Dani?

03. Cor das calças que está usando agora:
Calça do meu pijama cor-de-rosa (gay).

04. Última música que você ouviu:
Richie Kotzen - Don't Ask.

05. Últimos quatro dígitos do seu telefone:
5915.

06. Última coisa que você comeu:

Duas bisnaquinhas.

07. Se você fosse um lápis de que cor seria?

Roxo, talvez.

08. Com quem você gostaria de passar o resto da sua vida:
Se alguém trouxer Oscar Wilde de volta à vida pra mim eu faço com que nessa vida ele não tenha tendências homossexuais. *-*

09. Como está o tempo agora?
Friozinho gostoso.

10. Onde gostaria de ir em sua lua-de-mel:
No idea yet.

11. Qual é a primeira coisa que você nota no sexo oposto:
Olhos, boca, jeito de andar.

12. Você gosta da pessoa que te mandou isso:
Ninguém me mandou isso.

13. Como você se sente neste momento:
Entrando em depressão fim de férias e pensando se vou sair hoje à noite.

14. Quem você gostaria que estivesse ao seu lado agora:
Ninguém.

15. Esporte favorito:
Sou um tanto quanto sedentária, mas gosto de vôlei.

16. O que te faz feliz?
Abraços de pessoas importantes pra mim, conseguir o que quero, ser lembrada por quem queria ser, ouvir minha música preferida tocar no rádio, piscina num dia de muuuuuito calor, ouvir elogios dos meus pais, conversar com quem saiba me entender, ler por prazer e quando eu passar na usp também ficarei razoalvelmente feliz, sabe.

17. Qual seu próximo CD?
Hm?

18. Qual o cor do seu cabelo:
Castanho escuro misturado com algumas partes avermelhadas e algum vestígio loiro nas pontas ;S hahahaha

19. Olhos:
Verdes.

20. Altura:
1,58

21. Você usa óculos e/ou lentes de contato:
Uso óculos.

22. Irmãos:
Um irmão. (L)

23. Quem você considera seus mais chegados amigos:
Eles sabem quem são, tenho certeza. =)

24. Quem dos seus amigos vive mais longe:
Tinha uma amiga no japão, mas como não nos falamos mais... acho que meus amigos do RJ.

25. O que você gosta de fazer:

Ler, escrever, ouvir música, sair com amigos, fazer palavras cruzadas.

26. Qual o melhor conselho que já te deram?
Se conselho fosse bom, você quer dizer, né. Não os uso.

27. Já ganhou algum prêmio:
Yep. o/

28. Música/Estilo/Banda favorita:
Hmm. No momento acho que... Pain Of Salvation - Second Love.
Hard Rock; Metal; Musica clássica; MPB e tal.
Guns and Roses forever and ever x)

29. Comida favorita:

Strogonoff da mamãe; Pizza.

30. Filme favorito:
Aaah, uma porrada. Mas acho que Rock Star é o preferido.

31. Mês favorito:
Os meses em que me encontro de férias.

32. Você é timido(a) para convidar alguém para sair:
Depende da pessoa que eu vou convidar pra sair.

33. Qual foi a coisa mais idiota que você já fez:

Sei lá, cara, foram muitas. Acho que cair em conversa mole.

34. O que você prefere, por telefone ou pessoalmente?
Pessoalmente.

35. Qual é a sua prioridade agora?
Nesses últimos dias de julho é me recuperar de algo desprovido de importância pra vocês e ler muito também. Quando minha férias acabarem, minha maior prioridade será sentar a bunda da cadeira e passar no vestibular.

36. Se fosse um animal, qual vc seria?
Algum que não virasse comida de gente.

37. Onde está a sua felicidade?
Em lembranças, sorrisos e momentos.

38. Você quer que seus amigos te escrevam de volta?
Nem faço questão.

39. Quantidade de velas no teu último aniversário:
Duas que formavam o número dezessete.

40. Furos na orelha:
Já tive sete, agora são cinco.

41. Tatuagem:
Ainda não.

42. Piercing:
Um, na orelha esquerda.

43. Defeito:

Esperar muito das pessoas é o maior deles.

44. Cor preferida:

Roxo e Preto.

45. Já chorou por amor?
Já perdi a conta das vezes...

46. Já sofreu algum acidente de carro?

Nada sério.

47. Peixe ou carne:
Carne.

48. Restaurante preferido:
Prefiro pizzarias, haha!

49. Praia ou campo:
Gosto dos dois.

50. Cerveja ou champanhe:
Champanhe. Odeio cerveja.

51. Café ou chá:
Café!

52. Copo meio cheio ou metade vazio:
Pode encher ele inteiro que eu bebo.

53. Lençóis da cama liso ou estampados:
Whatever.

54. Cor das meias:
Brancas.

55. Programa de Tv:

Não assisto tv. Só gosto de "House", meu amor (L) haha

56. Onde você gosta de receber beijos:
Hahahahahahaha que pergunta indiscreta bagarai, nem respondo não.

57. Está ouvindo alguma musica agora?

Deep Purple - Perfect Strangers.

58. Coca Cola ou Guaraná:
Both of them o/

59. Tom ou Jerry:
Jerry, porque ele é pequenininho, fofo, corre rápido e me faz lembrar dos esquilinhos que eu tive na infância.

60. Disney ou Warner:
Não sei :S

61. Quando foi sua última visita ao hospital?

Segunda-feira. Enferma, oi.

62. Como se chama seu ursinho de pelúcia?

Meus ursinhos não têm nome =T (Aliás, até tinham, mas eu sou desmemoriada e esqueci)

63. Reprovado no teste de habilitação?
Ano que vem eu te respondo, ok.

64. Daqui a 10 anos:
Ihhh, meu bem, muita coisa vai rolar até lá.

65. De quem recebeu isso?
Peguei num blog aleatório.

66. Hora de dormir:

Quando tenho aula no dia seguinte, às nove, se não eu durmo no colégio. Em finais de semana e férias meus horários são indeterminados.

67. Pior sensação do mundo:
Inferioridade, medo, talvez ódio.

68. Melhor sensação do mundo:
Amor, companheirismo.

69. O primeiro pensamento que tem ao acordar:
Hoje acordei pensando no pretérito perfeito do verbo "contradizer".

70. Se pudesse ser outra pessoa, quem seria?
Alguma atriz de cinema gostosa pra poder dar altos foras por ai. (H)

71. Qual o carro dos seus sonhos?
Amo Porshes *-*

72. O que diria a alguém, mas não tem coragem?

"Vai procurar outra pra colocar na geladeira porque eu não sou teu capacho", mas não é falta de coragem é indiferença mesmo.

73. Frase preferida:
"Influenciar uma pessoa é dar-lhe nossa própria alma" - Oscar Wilde (L) E também gostei de uma frase que vi no blog da li um dia desses: "Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes" - William Shakespeare.

74. Está apaixonado?
Não, obrigada!

75. Data do seu nascimento:
06/06/1991

76. Última conversa telefônica:
Com a minha tia, ontem à noite. *saudades* (Ela mora em MG)



Só por postar. Futilidade e zaz o/
Vou lá ler Dostoiévski (L), beijos ;*

Tuesday, July 15, 2008

a tal efusividade

Imagine o seu primeiro dia de aula na faculdade. Você entra na sala roendo as unhas de ansiedade e torcendo até a morte para que as pessoas sejam, no mínimo, interessantes (você não aguentava mais aquela galera insuportável do seu cursinho e não via a hora de passar naquele maldito vestibular que durante muito tempo aumentou suas olheiras e te deu de presente boas rugas de preocupação). Pára na porta e observa, durante instantes, os rostos que você verá todos os dias a partir de então: quase toda a classe é composta por mulheres e metade dos poucos homens que lá se encontram são visíveis homossexuais. O professor que acabou de te cutucar pelas costas querendo passar pelo lugar que você bloqueou devia ter mais de sessenta anos e talvez já fosse até um pouco surdo, pois não respondeu as suas desculpas quando você se inclinou para que ele passasse. Ok, parece que é hora de escolher um lugar pra se sentar. Você respira fundo e olha ao redor, as opções são poucas mas acaba avistando um lugar vazio atrás de uma garota aparentemente simpática e se dirige até lá. Ao sentar-se, ela quase que imediatamente se vira pra você e diz:

- Oi! Meu nome é Sabrina!! Tudo bem?!
- Oi, tudo bem sim e com vo...
- Nooooossa eu nem acredito que finalmente estou na faculdade!!! Parece que foi ontem que eu entrei na escolinha! O tempo passa tão rápido, né? O que você acha de a gente ir comer alguma coisa depois da aula? Eu vi uma lanchonete aqui perto que parece ótima!
- É... puxa, eu nem reparei.
- Então tá combinado! Ihhh.. o professor tá olhando feio pra cá! Melhor a gente parar de conversar e prestar um pouco de atenção na aula. Nos falamos no almoço, então! Beijinho amiga, te amo!
E a garota vira pra frente.


Dois minutos depois, você se manifesta:
- Professor, acho que entrei na sala errada!

Saturday, July 12, 2008

do lixo interior

"Existe um lixo emocional: ele é produzido nas usinas de nosso pensamento, enquanto crescemos interiormente. São emoções que passaram por nossa vida e nos ajudaram - mas que não tem mais qualquer utilidade. São sentimentos que foram importantes no passado, - não no presente. São recordações de dor que nos amadureceram - e que agora não servem para nada. Não podemos carregar este lixo: ele foi feito para ser jogado fora. E, no entanto, apegados aos nossos sentimentos antigos, ficamos com pena deixá-los. Enchemos nosso porão espiritual com uma confusão de memórias inúteis, que ofuscam as nossas lembranças importantes. Não procure sentir coisas que você não está sentindo mais. Não procure ser como você era. Você está mudando - permita que seus sentimentos lhe acompanhem."


- Paulo Coelho

Friday, July 11, 2008

cadê o dicionário?

A mente humana é algo intrigante. Uma das coisas que todas as pessoas deveriam fazer antes de morrer, é decifrar cada mínimo detalhe que se passa aqui dentro, lá dentro, aí dentro. A resposta deveria estar disponível nos dicionários, enciclopédias, sites de pesquisa, ou seja lá o que for, e cada indivíduo deveria nascer com essa idéia fixa na cabeça de se compreender antes de mostrar-se ao mundo. Deveria ser o ponto de partida, como um jumpstart pra vida. Talvez, se isso fosse feito, nem todos passariam suas vidas, se auto questionando e esperando o dia em que alguém irá lhes explicar o porque daquela discussão com uma das pessoas mais consideráveis de sua vida que acabou por desencadear aquele sentimento indefinido, em meio à mistura de indiferença e rancor, que antes, era julgado completamente impossivel de acontecer. Talvez o orgulho seja capaz de explicar a ignorância a qual somos submetidos a enfrentar. Para chegar a algum lugar, cruzar obstáculos e vencer barreiras vivendo num mundo frio e estático, aonde cada um só se importa, de fato, com o próprio umbigo. Seria divertido se através de uma lâmina de um microscópio, a essência dos seres humanos pudesse ser revelada. Assim, poderíamos ser catalogados! Ótimo, não? Só estaria faltando a etiqueta com o preço de cada indivíduo, determinando seu valor e destruindo por inteiro seu livre arbítrio e capacidade de argumentação. Perfeito! Depois dessa, a criação de robôs gélidos poderia até ser suspensa, visto que o nascimento de robôs feitos de carne e osso teria acabado de acontecer. Hmmm... É, talvez a dúvida quanto à velocidade das sinapses nervosas dos seres humanos não deva ser publicada no google. A vida seria tediosa demais sem poder filosofar sobre o conteúdo (ou a falta dele) da personalidade alheia...

Saturday, June 07, 2008

conceitualismo

Um dia desses parei pra pensar sobre aquilo que, egocentricamente, sempre ocupa minhas maiores ondas de pensamentos: eu. E subitamente me ocorreu uma coisa. Por mais que eu tentasse eu não conseguia achar palavras de meu agrado pra me descrever. Não sabia o motivo e isso me intrigava. Acho que a minha linha de descrição ainda não foi fabricada no mundo das palavras! Não é possível ser tão complicado assim alguém conseguir falar/escrever sobre sua própria pessoa, é? Então comecei a me recordar sobre uma conversa que tive um dia desses no colégio com uma amiga quando a aula estava tediosa o suficiente para não prestarmos atenção. Ela é fanática por astrologia, horóscopos e signos, e esse foi o assunto da conversa. Eu nunca fui capaz de acreditar que a posição dos astros e do sol no exato momento em que eu vim ao mundo pudessem influenciar na minha personalidade, mas isso não vem ao caso, a questão é que ela me disse uma coisa intrigante, com a qual eu me identifiquei de maneira indiscutivel: "Você não é alguém que gosta sempre das mesmas coisas e que possa encontrar definições claras sobre seu jeito de ser e agir. Você muda constantemente, sem se importar com o que há por vir, mas quando algo te encanta de verdade, é difícil de desfazer". Essas palavras ecoaram dentro da minha cabeça durante bons minutos antes de eu conseguir concilia- las com o que eu mesma penso sobre mim. E então parei para refletir sobre isso e fiquei pasma quando notei que é exatamente isso que sou: Um fluxo. Eu nunca sou a mesma pessoa duas vezes. Nunca! E mesmo assim pessoas ao meu redor dizem que me conhecem. Quanto blefe. Ninguém é capaz de compreender outro alguém por completo, muito menos quando essa pessoa não tem conceitos fixos e suas opiniões mudam constantemente. Por muito tempo achei estranho não conseguir diferenciar aquilo que gosto daquilo que me proporciona aversão, contudo, tais definições que permaneceram "em cima do muro" são coisas triviais, e de importância relevante. Meu caráter e minha maneira de ver o mundo, essas sim, são características que não se alteram, simplesmente amadurecem, e é essa mudança que me ajuda a seguir em frente, guardando alguns dos machucados, mas também incontáveis boas lembranças que enchem a minha alma de vivacidade e uma pitada de curiosidade por aquilo que ainda não aconteceu.

Wednesday, June 04, 2008

parada facultativa

Seria estupidez em demasia chegar ao ponto em dizer que nada dá certo. Eventualmente algo tem que dar certo em algum momento, em algum lugar... Mas sabe, ponderando a situação acabei de perceber que o conceito de "certo ou errado" é extremanente relativo. Ter o carro do ano na garagem, comida na geladeira, e um charuto importado entre os lábios pode ser o ápice para alguns. E para outros tal auge só é encontrado em meio à realização pessoal, seja ela qual for. Parece que, afinal, a futilidade da coisa se encontra em quem não tem ambas as coisas e diz que está tudo certo, sem mover uma palha porque simplesmente não quer admitir que não está.

Santa Ignorância, não?

Thursday, May 22, 2008

random

"Deus não fala....

Porque a humanidade não segue seu exemplo?"

- Wood Allen

Friday, May 16, 2008

percepções

Pessoas são idéias, pessoas são carne e osso. Pessoas são alegrias, pessoas são tristezas. Pessoas são ocas, pessoas são completas. Pessoas são tudo. São nada. Analogias superfluas não bastam nesse caso: é preciso rasgar o envoltório e penetrar em cada única alma, extrair a seiva cuidosamente e tomar muito, muito cuidado para não se envenenar em meio à essa mera experiência de análise sensitiva. Palavras correm, sentimentos voam. Dispersos. Estiquei meu braço um pouco mais do que achava que conseguiria e por uma fração de segundo pensei ter tocado a sua razão, mas ela se esvaiu antes mesmo que pudesse perceber sua presença.

Wednesday, April 30, 2008

folhas de outono

Ao chegar de mais um dia de trabalho, mais cansada do que de costume, abriu a porta de casa, jogou as chaves do carro sobre a mesinha de centro da sala de estar e as correspondências que trazia na outra mão foram levadas com ela para a cozinha para serem lidas enquanto servia-se de uma xícara de café frio, feito pela manhã. Nada de novo havia ali: contas à pagar, cobranças de dívidas que nunca havia feito, bancos oferecento cartões de crédito e afins. Pouco surpresa com o conteúdo daqueles envelopes, levantou-se e deixou os ali, à esmo sobre a gelada mesa de granito da cozinha. Pegou suas pastas recheadas de numerosos relatórios que havia deixado na sala antes de ir trabalhar e caminhou até seu quarto aonde começaria a trabalhar em seu projeto, naquela mesma sexta à noite. Havia esquecido a janela aberta pela manhã e respirou fundo ao ver que seu quarto estava, agora, repleto de folhas secas dispersas no chão. Não fez nada, deu meia volta, apagou a luz, fechou a porta e saiu dali como se nada estivesse fora do lugar. "Droga! Limpar essa sujeira vai me tomar o resto da noite!", gritou consigo mesma por não poder colocar a culpa em ninguém. Sentou-se no corredor e fitou as pastas na qual o conteúdo lhe proporcionaria horas e horas de trabalho duro e olheiras mais profundas do que as de agora. Estava farta daquilo. Seu maior objetivo na vida sempre foi alcançar o sucesso profissional, sempre se dedicou ao máximo para que isso acontecesse, abriu mão das coisas que mais lhe despertavam o prazer verdadeiro, estudou muito durante anos, como poucos ousariam fazer. E em troca de que? Conseguiu comprar uma torradeira de funcionamento instantâneo e aquilo a satisfez por um tempo. Logo mais comprou um desk mais moderno que o antigo para o seu computador, depois trocou a televisão por uma dessa novas, feitas de cristal líquido, sabe? E continuou alimentando seu consumismo, acreditando estar cada dia mais próxima da realização pessoal e que isto, era inerente ao conforto, e somente à ele. Como num estalo, levantou-se subitamente do chão gelado e olhou no relógio que marcava quinze para as nove da noite. Deixou ali as pastas as quais deveria estar dando atenção e entrou novamente no quarto, ignorando completamente a presença das folhas espalhadas por todo lado que vinham anunciar a chegada do outono, pegou uma cadeira e a levou para perto do guarda-roupas, abriu as portas do mesmo e de cima da cadeira passou a procurar sua antiga agenda telefonica, dos tempos de colégio. Depois de muito revirar uma das prateleiras superiores, finalmente encontrou o que procurava. Desceu então, da cadeira e após pegar o telefone ficou ali, estática, olhando parar o número escrito naquela folha amarelada da velha caderneta repleta de nomes esquecidos. Respirou fundo três vezes antes de ganhar coragem e começar a discar. Levou o aparelho à orelha com as mãos tremendo, a essa altura ela não sabia mais se tremiam de frio, ou de medo. Tocou uma vez, tocou duas, tocou três, quatro, cinco... e ninguém atendeu. Ela começava a perder sua última parcela de esperança quando ouviu do outro lado da linha, dizendo "Alô?" aquela voz que a confortara inúmeras vezes no passado. Sua voz se recusava a sair, estava presa à ardente sensação de reviver o passado através de uma simples palavra, de um simples som. Mas ainda conseguiu responder a tempo de não deixar essa felicidade se esvair em meio ao silêncio:

"Oi... aqui é a M. Eu sei que parece estranho você receber essa minha ligação tão repentinamente, depois de tanto tempo... e talvez você nem se lembre mais de mim... mas... eu queria saber se você gostaria de sair pra conversar e talvez beber alguma coisa..."


E somente depois de ouvir a gargalhada de contentamento do outro lado da linha, ela pôde, depois de muito tempo, sentir seu corpo aquecer-se novamente, com um sorriso sincero estampado em sua face rosada.

Saturday, April 26, 2008

childhood memories

Hora ou outra ainda penso que gostaria de reviver aquele tempo. Aquele tempo em que eu podia sair correndo pela rua pra brincar de esconde-esconde, que eu colhia as minhas próprias amoras do pé e comia ali mesmo, sem me preocupar em contrair algum tipo de doença. Aquele tempo em que eu ainda dizia "Eu te amo" sem receios, aquele tempo em que brincar de bonecas era a única coisa que não podia faltar no meu recipiencte nomeado "satisfação". Eu ainda sinto saudades de andar de bicicleta por aí, de brincar de queimada, de fazer um desenho e acreditar quando as pessoas diziam que ficava lindo. Eu ainda sinto saudades de puxar a barra da saia da minha avó e fazer cara de "quero mais" quando o doce acabava. Sinto falta daquela época em que eu acreditava que as pessoas eram boas e que não havia traição. Aquela época em que não era preciso anotar a receita de um sorriso em um papel para que as lembranças do "modo de preparo" não se esvaissem com o tempo. Ah! Que saudades de sorrir! Acho que acabei por perder a receita, afinal...

Friday, April 18, 2008

i'll send an s.o.s to the world

Quem poderia me vender algumas horas de ócio?

Alguns minutos de doação já seriam de grande ajuda.

Grata.

Saturday, March 29, 2008

inutilidades casuais

Se tem uma coisa que me irrita é indecisão. Jurei a muitas pessoas que eu não sofria desse mal, mas fui uma completa mentirosa. Eu não consigo nem mesmo decidir a roupa que vou usar para ir à aula num sábado de manhã (por mais fútil que possa parecer) quando mais escolher com quem quero estar, como devo reagir aos acontecimentos rotineiros ou o que eu quero fazer pelo resto da vida, profissionamente falando. Por muito tempo eu quis ser professora porque admirava o trabalho que as tias do primário realizavam com aquelas pestinhas que apareciam em suas classes, mas depois decidi que não queria ficar de cabelo branco antes dos trinta. Então rumei para o lado da psicológia, mas depois de um tempo percebi que se eu entender o que se passa aqui dentro, pode ser que as coisas percam a graça sem um toque de mistério e decidi que não queria que isso acontecesse. Optei então por publicidade, acho que por falta de escolha, mas depois que descobri que não tenho o dom pra coisa, deixei de lado. Me deparei então com a biologia, gostava de estudar biologia por tirar notas boas no colégio e por ser uma meio termo entre exatas e humanas, mas desencantei do curso quando me disseram que tudo muda completamente do colégio para a faculdade. Pensei então que talvez eu deveria ser jornalista, sempre gostei de ler e escrever, entretanto, minha empolgação caiu noventa por cento quando descobri que a relação candidato-vaga do curso é o triplo da minha idade. Então, me sentei um dia no meio-fio, na frente de casa com meu violão e fiquei ali imaginando como seria bom se as minhas dúvidas se resumissem a qual sabor de pizza eu vou querer comer com os amigos na sexta-feira a noite ou de qual cor eu pintarei o meu cabelo da proxima vez. É, isso seria bom, e seria melhor ainda se eu pudesse gritar por sorvete de flocos com calda de morango toda vez que me desse vontade e alguém viesse me trazer. Mas que raios! Do que é que eu estou falando? Eu, absolutamente não iria gostar de só me lembrar dessas futilidades, se um dia, na minha velhice, quiser escrever sobre as minhas mémorias. Eu já não sei mais sobre o que estou falando, ou aonde quero chegar, mas eu sei que estou achando isso tudo uma grande tolice, que estou com sono, ouvindo "Right said Fred - I'm too sexy" e tenho vinte capitulos de matemática pra estudar até semana que vem. Será que alguém poderia gentilmente me tirar de cima do muro e me fazer voltar a ser aquela garota que sempre conseguia o que queria e não tinha um mol de dúvidas correndo por sua mente a cada milésimo de segundo? Azul ou preto? Chocolate ou caramelo? Gastronomia ou Astrologia? Academia ou caminhada? Cinema ou biblioteca? O loiro ou o moreno? Inteligencia ou sensibilidade? Ah, ah ah. Depois dessa viagem à Lua, eu preciso de um Martini Rosé e quinze horas de sono.

Sunday, March 16, 2008

away

Vou ali buscar minha vontade de respirar e já volto.