Sei bem que nunca acreditei naquela conversa evasiva de que seres humanos são mutáveis: por mais que o tempo insista em passar, e as rugas jamais tardem a comparecer ao lado dos olhos e no pequeno espaço entre as sobrancelhas, aquela pessoa não mudou. Ela não mudou nem a maneira com que pegou uma caneta nas mãos pela primeira vez, quanto mais sua maneira de agir, de pensar, de enfrentar os fatos. Resumir a vida é muito mais simples do que parece, sabia? Olha só: você nasce, e aí começa a jornada. Começa bem, até. Fazendo amigos, aproveitando a infância ao máximo, sem querer saber de mais nada. Contudo, chega uma hora em que você reconhece que não são todas as pessoas com quem você topar que serão seus amiguinhos, não são todas que vão gostar de você. E aí você começa a apanhar e se refrear, se conter perante as pessoas. Perde a confiança em todo mundo. Anda sempre com um pé atrás, cria pré-conceitos sobre tudo, e fica sempre alerta pra toda e qualquer primeira impressão (caution: first looks can be deceiving). As intrigas começam a dar o ar da graça, e sem perceber você começa a se preocupar, prematuramente. Mas nem tudo são choros e lamúrias. Obviamente, as calamidades são inevitáveis, visto que ainda está pra nascer aquele que nunca na vida foi motivo de troça. Enfim... depois de algum tempo você passa a não se importar tanto com os amiguinhos que não gostam de você e começa a reparar no sexo oposto "que é muito mais interessante!". E então depois de alguns anos (ou décadas para os anormais / físicos assexuados - sem ofensas), o instante em que seu coração será quebrado, esmagado, triturado, estraçalhado (todos esses sinônimos se encaixam perfeitamente no contexto) pela primeira vez se faz presente. Passada a tempestade de lágrimas e socos invísiveis no estômago você jura com todas as forças que nunca mais irá se apaixonar, começa a dizer que amor é para os fracos e toda essa lenga lenga de corno manso querendo se justificar. E então, adivinha? Você se apaixona outra vez e cai com a cara no chão: agora é a hora de tentar se justificar novamente. "Com ela(e) vai ser diferente, agora eu encontrei minha alma gêmea!". Acredite, não vai demorar muito até que a filosofia do "Amor é para os fracos, homens (mulheres) são todos(as) iguais" seja aceita de volta. E a crise cíclica continua... Amor, ódio, amor, ódio, amor, ódio. A questão é que chega um hora em que nos cansamos de desilusões ou surpresas desagradáveis e... ahá! Aprendemos a viver. E então você liga o rádio na varanda, se deita na rede e fica lá tentando organizar as boas lembranças... Feliz e sem se arrepender delas, porque (obviamente) depois de tanto apanhar da vida você começa a deletar aquilo que não lhe convém. Bem, infelizmente, não podemos esquecer dos nossos queridos emos e sadomasoquistas, mas aí já é outra história....
(Qual foi mesmo o motivo desse texto?)
Saturday, December 20, 2008
Thursday, December 18, 2008
sobre os princípios do Reiki
Só por hoje não vou me irritar
Só por hoje não me preocupo
Só por hoje sou grato
Só por hoje trabalho honestamente
Só por hoje sou boa com todos os seres vivos...
Só por hoje...
Só por hoje não me preocupo
Só por hoje sou grato
Só por hoje trabalho honestamente
Só por hoje sou boa com todos os seres vivos...
Só por hoje...
brincando de escrever (viver)
Escreve, apaga, escreve, apaga, escreve, apaga. Escreve: já apaguei o suficiente por hoje. Não sei por que eu tenho estado tão estranhamente vazia pra escrever, já não tenho mais idéias formadas sobre quase nada. A verdade é que me desliguei do mundo, e isso não é bom, não é nada bom. Eu começo me desligando pelos aredoares e logo o black out será dentro de mim mesma. E bem, caso isso aconteça eu realmente não terei mais nada em que pensar ou argumentar sobre. Durante longos meses coloquei a culpa disso tudo sobre o vestibular, mas sei que não engano só a vocês, que lêem, mas a mim também. Vestibular pode ser uma fase delicada, que requer esforço e dedicação ao extremo, mas não é tudo na vida (e nem nunca foi uma prioridade...) e vai passar, assim como os bons e maus momentos que vivi: vai passar, não importa o quanto demore. E quais serão as recordações que eu terei comigo sobre essa época da minha vida? Pouquíssimas valem a pena serem lembradas, disso eu tenho certeza. E quando mais eu vou poder ter dezessete anos? Ao menos nessa vida eu tenho certeza absoluta de que "nunca" é a resposta. E o que eu fiz de memorável com essa idade? Me reservei dentro dos estudos, mesmo que muitas vezes tenha feito tal coisa pra esquecer fatos que não se incluem na minha futura (não importando a distância desse futuro) vida acadêmica, e caí em completo esquecimento quanto às minhas escolhas inconscientes. Agora, que me deparo com o fim de ano, eu fico feliz por ter acabado e isso me faz passar por sensações inusitadas: Qual o motivo da felicidade? Eu não tenho a menor idéia. Outro ano está pra começar e o que me faz ter certeza de que eu não vou buscar refúgios errôneos outra vez ao invés de encarar os fatos? Eu descobri o porquê de ter me escondido tanto... É uma mistura inconcebível de medo com orgulho, mas que não vale a pena tentar definir. Certa vez, eu li um texto e aquelas idéias fixadas à ele nunca saíram totalmente dos meus pensamentos, seu desfecho é alguma coisa do tipo: "Quando me deparei com aquela bala no meu peito, fechei os olhos e decidi que tinha duas escolhas a partir daquele momento: viver ou morrer. Decidi, irrevogavelmente, acatar a primeira opção". Não há dúvida alguma da escolha que faço nesse momento.
[Texto marcado como rascunho e publicado somente no dia 23/10/09]
[Texto marcado como rascunho e publicado somente no dia 23/10/09]
Thursday, November 27, 2008
vontade de nada
Fazia tempo que eu não tinha esse tipo de vontade: vontade de... nada. Querendo ficar olhando pra tela do computador, aqui, sozinha no meu quarto... Ouvindo as músicas da minha vida, e pensando em nada. Sem ler, sem estudar, sem me preocupar, sem lembrar... Sem comer, sem dormir, sem sentir. Só me importando em estar aqui, em respirar... em viver, simplesmente. Vontade de nada é bom. Gostaria de passar por isso mais vezes e não me preocupar com coisa alguma.
Assim... feliz.
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P.S: Obrigada de verdade àqueles que me desejaram boa sorte. Eu consegui! Agora é batalhar pra conseguir enfrentar a segunda fase e garantir minha vaga na USP. Mas hoje eu quero mais é relaxar e aproveitar minha vontade de nada. E sorrir... ;)
Assim... feliz.
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P.S: Obrigada de verdade àqueles que me desejaram boa sorte. Eu consegui! Agora é batalhar pra conseguir enfrentar a segunda fase e garantir minha vaga na USP. Mas hoje eu quero mais é relaxar e aproveitar minha vontade de nada. E sorrir... ;)
Tuesday, November 18, 2008
lamúrias sobre tempo, memória e dor. (e mais alguns comentários desnecessários)
Não, eu não me arrependo das minhas idiotices. Não me arrependo por um único e simples motivo: se eu pudesse voltar no tempo faria tudo exatamente da mesma maneira, sem tirar nem pôr. Eu não sou vidente, não tenho poderes sobrenaturais, portanto, não havia como saber o que se passaria na minha cabeça depois de todos os acontecimentos, não poderia imaginar como tudo se resolveria, ou como os problemas se multiplicariam. Não dá. O único modo que achei pra descobrir foi agir. Se meus atos foram precipitados ou não, se foram corretos ou não... não me importo mais. Não me importo por que não há com o que se preocupar: tudo ficou no passado e eu tenho o presente bem na minha frente, o presente que agora mesmo já virou poeira, agora mesmo ele está sendo tirado de mim, a todo momento ele é tirado de mim. Pensar nos erros cometidos é como assinar um atestado de burrice (e eu sei que já assinei uma lista deles) pois não há como apagar aquilo que já foi escrito, as marcas não iriam desaparecer por mais que o perdão prevalecesse: resquícios são inevitáveis e eu só gastaria mais e mais do meu tempo ridiculamente curto de vida pensando em como tudo poderia ter sido melhor. Erro? Essa droga de palavra não deveria existir no vacabulário de ninguém, ela não significa nada e só é útil pra abaixar a auto-estima dos seres que acham que pensam (tenho uma breve certeza de que me encaixo nesse grupo). Erro significa experiência de vida e toda a essência que uma pessoa errante possui foi indubitavelmente construída a partir daí. As pessoas não deveriam se testar tanto, se colocar tanto a prova, eu mesma não deveria fazer isso. É perigoso demais, e o perigo se encontra em tentar esquecer aquilo que nunca vai te abandonar, e caso você persista no erro de "tentar esquecer" isso te machucará pelo resto de seus dias na Terra... O legal de toda essa lenga-lenga é que quando a ficha cai e o indivíduo percebe que não vai adiantar merda nenhuma ficar tentando esquecer aquilo que vem machucando há tempos, ele passa a se adaptar às feridas que ele mesmo fez, e quando ele pára de cutucar, ela pára de crescer e começa a cicatrizar-se. Depois que toda a tempestade se vai, a dor desaparece, mas no lugar dela é deixado uma marca, a qual damos o nome de "memória".
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Random topics:
1) Essa reforma gramatical da LP anda me irritando tipo, MUITO :) Eu odeio ter que pensar em reaprender todas as malditas regras de acentuação outra vez de maneira diferente, e cogitar a possibilidade de escrever "idéia" sem acento me dá nos nervos. E lingüiça sem trema? Flexão do verbo "parar" (pára) sem acento???? "Para" é preposição, mas que raios! Isso sem contar a exclusão do pobre coitado do hífen... Acho super válido escrever "contrarregra" e ter que ler "contra-regra" (Y). Quando eu for letrada eu vou acabar com essa porra toda. :D
2) Só para comunicação: Caso alguém leia o que eu escrevo aqui e pense que eu estou em colapso comigo mesma, eu afirmo que não é nada disso: no momento em que eu escrevo, eu extraio de mim todas as sensações que vocês sentem ao ler (se não sentem nada, eu provavelmente não estou extraindo nada, ou você simplesmente me acha muito desinteressante), eis o motivo para a nostalgia/pessimismo/raiva/etc que podem ser detectados constantemente e explicitamente no conteúdo de todas as minhas ladainhas e isso faz com que eu deixe somente as boas sensações me acompanharem diariamente. A cada texto é uma dor de cabeça a menos que eu tenho.
3) Por favor, mandem forças positivas para a minha pessoa no domingo? Pra que eu mantenha a calma durante a fuvest? Não queria mesmo jogar todos esses meses de estudo pesado no lixo por causa de nervosismo e/ou ansiedade. E eu juro que não coloco mais NENHUM comprimido de calmante na minha boca, vou resolver essa droga sem precisar de drogas. (ãhn, ãhn?).
Chega da sessão "minha vida conturbada".
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Random topics:
1) Essa reforma gramatical da LP anda me irritando tipo, MUITO :) Eu odeio ter que pensar em reaprender todas as malditas regras de acentuação outra vez de maneira diferente, e cogitar a possibilidade de escrever "idéia" sem acento me dá nos nervos. E lingüiça sem trema? Flexão do verbo "parar" (pára) sem acento???? "Para" é preposição, mas que raios! Isso sem contar a exclusão do pobre coitado do hífen... Acho super válido escrever "contrarregra" e ter que ler "contra-regra" (Y). Quando eu for letrada eu vou acabar com essa porra toda. :D
2) Só para comunicação: Caso alguém leia o que eu escrevo aqui e pense que eu estou em colapso comigo mesma, eu afirmo que não é nada disso: no momento em que eu escrevo, eu extraio de mim todas as sensações que vocês sentem ao ler (se não sentem nada, eu provavelmente não estou extraindo nada, ou você simplesmente me acha muito desinteressante), eis o motivo para a nostalgia/pessimismo/raiva/etc que podem ser detectados constantemente e explicitamente no conteúdo de todas as minhas ladainhas e isso faz com que eu deixe somente as boas sensações me acompanharem diariamente. A cada texto é uma dor de cabeça a menos que eu tenho.
3) Por favor, mandem forças positivas para a minha pessoa no domingo? Pra que eu mantenha a calma durante a fuvest? Não queria mesmo jogar todos esses meses de estudo pesado no lixo por causa de nervosismo e/ou ansiedade. E eu juro que não coloco mais NENHUM comprimido de calmante na minha boca, vou resolver essa droga sem precisar de drogas. (ãhn, ãhn?).
Chega da sessão "minha vida conturbada".
Thursday, November 13, 2008
sei lá
Nem sei se me importo mais. A raiva não vale a pena.
Você não vale a pena. E disso eu tenho certeza.
Você não vale a pena. E disso eu tenho certeza.
Friday, November 07, 2008
concretismo?
tempoxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxefêmeroxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxexistênciaxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
finitaxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxmemóriaxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxpassageira
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
vidaxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaag
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaago
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaagor
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaagora
xxxxxxxxxxxxxxAGORAxxxxxxxxxxxxxxx
xxx
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P.S.: Sentirei tanta falta das aulas do Gatti. Literatura é vida...
Tuesday, October 28, 2008
psicologia reversa
Pessoas normais. Não ligo pra elas porque eu realmente não procuro por relações normais. Eu tenho preguiça de pessoas normais, de pessoas sem sal, previsíveis. O que eu gosto mesmo é de escuridão, aquela escuridão tão intensa e tão profunda que chega a causar distúrbios mentais, mas que com o tempo se ameniza, e que aos poucos abre espaço pro meu caminho, que aos poucos me dá chances de clarear seus traços. E assim como existem as pessoas que vejo passar todos os dias nas ruas, existem outras que deveriam ser dispensáveis ao meu bem estar, mas são essas que me proporcionam a adrenalina da escuridão, assim como ele... E é ele que me me faz ter ataques nervosos, que me tira o sono, que me faz tremer e perder a fome, que me faz esquecer de que desviar meus lábios dos dele é uma alternativa. É dele que eu não consigo me desvencilhar, é com ele que eu perco a fala, o chão. É dele também a minha raiva por perder o auto controle e não conseguir destravar meu olhar. Eu adoro a expectativa. Mesmo que ela não traga nada de bom. Eu adoro. Adoro aquele olhar enigmático, adoro não fazer idéia do que ele pensa. Mesmo que fique anos sem o ver, vou continuar perdendo o chão, daquela mesma forma. Porque ele definitivamente não se encaixa no grupo dos "sem sal". E principalmente porque eu não me apaixonei por ele, mesmo que ele seja a melhor escuridão que eu já conheci em todos esses anos de inconstância que vivi.
Friday, October 24, 2008
changes? changes!
Hoje eu percebi como dialogar pode dar vivacidade à minha alma...
Que delícia é dar uma arrancada pra frente!
Eu definitivamente me sinto como em tempos de mudança.
Talvez meus sonhos não sejam mais como um guarda-chuva contra um raio. Who knows?
Que delícia é dar uma arrancada pra frente!
Eu definitivamente me sinto como em tempos de mudança.
Talvez meus sonhos não sejam mais como um guarda-chuva contra um raio. Who knows?
Tuesday, October 21, 2008
só mais uma memória inexorável
Ouvir um dos melhores cds da minha vida me deixa excessivamente nostálgica. Talvez nem seja da banda que eu gosto tanto, nem do som que eles tocam, talvez seja simplesmente a época em que o escutei pela primeira vez, a melhor época da minha vida.
Ah, que saudade! E que vontade imensa de te abraçar...
Ah, que saudade! E que vontade imensa de te abraçar...
Wednesday, October 08, 2008
insanidade
Não estou certa de como isso começou, não me lembro de datas, nem mesmo de circunstâncias, só o que sei é que aos poucos a minha inspiração se dissipou, e aquele brilho que antes era quase ofuscante quando voltado à meros olhos sensíveis, agora é turvo e indiferente. Eu costumava saber (ou achar que sabia) como é me sentir importante pra alguém, e eu me lembro de que eu tinha algum tipo de vício com relação a essa sensação. É, eu me lembro, embora não sinta mais nada que se compare àquilo desde... desde algum tempo que eu não consigo me recordar. Talvez eu tenha ficado mal acostumada demais enquanto eu ainda possuia a minha inspiração, a minha esperança. Talvez tenha sido isso... eu provavelmente escondia em meu interior uma pérfida (in)certeza de que essa sensação nunca iria me abandonar, de que eu estaria completa para sempre. O fato é que eu ainda não havia percebido quão traiçoeiro o mundo dos sentidos poderia ser, ou então, o quão conturbado o meu mundo psicológico poderia ser. Não posso negar que cada simples gesto emitido por humanos é relativo, já que não há nesse planeta duas cabeças que pensem da mesma forma e isso é um fato ao qual as pessoas já deveriam ter se acostumado, inclusive eu mesma. Provavelmente se as coisas fluissem desse modo, a existência da palavra "desabafo" seria desconhecida até hoje. Desabafo? Não, não é isso que eu preciso no momento e não é isso que eu tenho precisado há meses. O que eu preciso, o que eu preciso de verdade, é ter alguém por perto que me abrace ao invés de me dizer a cada três segundos que tudo vai ficar bem ou então que sabe como eu me sinto, porque por mais que a minha descrição seja nítida pra você, ela não é o suficiente pra mim. Eu não preciso de alguém que sinta a minha emoção, nem que tente tirar qualquer dor de dentro do meu peito caso ela exista, só o que eu preciso é de alguém por perto, que goste de ficar ao meu lado mesmo quando eu não estiver exalando litros de felicidade, alguém que não saia correndo quando visse rolar a primeira lágrima caindo de meus olhos. Caramba... eu tenho consciência de que eu sou um ser errante, sei muito bem disso, mas todos somos, não é? Será que esse indiferentismo e essa insensibilidade constante vai ser sempre assim, inalterável? Seres humanos não são feitos de pedra, não são máquinas. Então qual é o problema em demonstrar um pouco de sinceridade pra variar? Um pouco de humanidade? As vezes eu queria ser cega. Eu queria ser cega, surda e muda (e um pouco mais ignorante também). Assim, eu poderia me isolar dessa sociedade desvairada. Sei que viveria angustiada, na dúvida de como seria poder me comunicar com o "mundo exterior", mas pelo menos assim eu ainda teria esperança de que humanos poderiam ser seres admiráveis, ou no mínimo, descentes a ponto de merecerem algum vestígio de reconhecimento. Sabe, talvez eu deva adotar algum animal de estimação e esquecer esse discurso idiota...
Thursday, October 02, 2008
perspectivas sobre amor
"Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa. O onanista é abjecto, mas, em exata verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois “amo-te” ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstrata de impressões que constitui a atividade da alma. Estou hoje lúcido como se não existisse. Meu pensamento é em claro como um esqueleto, sem os trapos carnais da ilusão de exprimir. E estas considerações, que formo e abandono, não nasceram de coisa alguma – de coisa alguma, pelo menos, que me esteja na plateia da consciência. Talvez aquela desilusão do caixeiro de praça com a rapariga que tinha, talvez qualquer frase lida nos casos amorosos que os jornais transcrevem dos estrangeiros, talvez até uma vaga náusea que trago comigo e me não expeli fisicamente… Disse mal o escoliasta de Virgílio. É de compreender que sobretudo nos cansamos. Viver é não pensar."
- Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa.
- Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa.
Tuesday, September 30, 2008
just like a computer
Alguns dos meus pensamentos transformados em palavras reais:
"Minha memória deveria ser assim, exatamente igual à de um computador. Aquilo que tenho orgulho de ter feito eu guardaria na pasta: "Arquivos Especiais", que estaria sempre ligada ao meu inconsciente, embora completamente acessível, a qualquer hora do dia para me fazer sorrir quando eu começasse a achar que a vida é uma droga ou para me fazer suspirar por alguém que realmente merece ser lembrado. (Em doses saudáveis, sem que a alegria se transforme em angústia, caso essa memória não faça mais parte do meu presente). Em outra pasta, que poderia nomear por "Arquivos de Rotina", eu colocaria as memórias do meu dia-a-dia, que não me fazem mais triste, nem menos feliz, entretanto, estão aqui para me fazer lembrar o quão difícil ou fácil foi passar por certas situações, e eu aprenderia muito mais com meus passos dados em falso ao longo do caminho. E pra finalizar, à ultima pasta eu daria o nome de "Lixeira"(exatamente igual àquela do meu computador), e tudo aquilo que já me fez algum mal, que me proporcionou olheiras mais profundas, um pouco menos de cabelo, unhas roídas e olhos inchados, eu jogaria lá dentro e ordenaria ao meu cerébro que levasse o lixo pra fora."
Admito que achei essa idéia um tanto quanto ingênua quando pensei nela de imediato, mas depois de vê-la formulada eu até fiquei com vontade de tentar...
"Minha memória deveria ser assim, exatamente igual à de um computador. Aquilo que tenho orgulho de ter feito eu guardaria na pasta: "Arquivos Especiais", que estaria sempre ligada ao meu inconsciente, embora completamente acessível, a qualquer hora do dia para me fazer sorrir quando eu começasse a achar que a vida é uma droga ou para me fazer suspirar por alguém que realmente merece ser lembrado. (Em doses saudáveis, sem que a alegria se transforme em angústia, caso essa memória não faça mais parte do meu presente). Em outra pasta, que poderia nomear por "Arquivos de Rotina", eu colocaria as memórias do meu dia-a-dia, que não me fazem mais triste, nem menos feliz, entretanto, estão aqui para me fazer lembrar o quão difícil ou fácil foi passar por certas situações, e eu aprenderia muito mais com meus passos dados em falso ao longo do caminho. E pra finalizar, à ultima pasta eu daria o nome de "Lixeira"(exatamente igual àquela do meu computador), e tudo aquilo que já me fez algum mal, que me proporcionou olheiras mais profundas, um pouco menos de cabelo, unhas roídas e olhos inchados, eu jogaria lá dentro e ordenaria ao meu cerébro que levasse o lixo pra fora."
Admito que achei essa idéia um tanto quanto ingênua quando pensei nela de imediato, mas depois de vê-la formulada eu até fiquei com vontade de tentar...
Monday, September 29, 2008
em memória de uma grande alma

Não posso afirmar se todos os seres vivos desse planeta em meio às suas tão estúpidas e efêmeras existências possuem algum tipo de ardor por conhecimento, por tornarem-se um pouco menos ignorantes do que já são, por imortalizarem em suas memórias a existência de alguém que foi muito além do que uma simples rotina consuetudinária, sem cores e sem marcos. Entretanto, posso afirmar que mesmo ainda tendo muito o que conhecer, eu sempre tentei fazer o possível e o impossível para reconhecer a luz ofuscante que algumas sábias pessoas deixaram nesse mundo ao partir. Machado de Assis não morreu e não morrerá jamais, pois hoje ele completa, sem dúvida alguma, cem anos de imortalidade dentro dos corações de numerosos brasileiros que ainda apreciam intensamente seus dons literários, e com um gostinho de saudades platônicas, eu me incluo nesse grupo de leitores e entrego alguns minutos do meu dia em homenagem à esse ilustre mestre da lingua portuguesa. Machado de Assis é, indubitavelmente, sinônimo de eternidade.
"Tu eras perfeito nos teus caminhos, desde o dia da tua criação." - Dom Casmurro.
Thursday, September 25, 2008
desassossego constante
Já que sou eu que assino o final de cada droga de post nessa droga de blog, não há nada de errado em escrever um pouco sobre mim mesma, há? (Pergunta retórica, claro.)
Eu tenho plena consciência de que para se viver em sociedade e aguentar os trancos diários a que somos submeditos é extremanente necessário que tenhamos uma certa dose de equilíbrio emocional. Mas que raios de coisa difícil de se conseguir! Eu acho que já estou tão intensamente saturada de informações e sensações me atacando por todos os lados que já não tenho mais controle sobre mim mesma e o troco se reflete na minha saúde... Se eu não conseguir me centrar nesses dois últimos meses que eu tenho antes de fazer aquela droga de prova que me desespera desde o ínicio do ano, quando for a hora eu já serei uma completa hipocondríaca. Eu sei que meus problemas não são o fim do mundo e é exatamente isso que me frusta! Se uma coisa tão fútil como uma prova de vestibular consegue fazer todo esse estrago psíquico e emocional comigo, eu fico me indagando quando algo sério de verdade estiver por acontecer.... Agora mesmo eu tenho trilhões de coisas pra fazer, mas a ansiedade dentro de mim anda me corroendo! Precisava de um tempo pra tentar colocar tudo isso pra fora de um jeito ou de outro. Meus dedos sobre o teclado se manifestam antes que eu consiga enviar alguma informação formulada até o meu cérebro e a sensação que tenho é a de que eu andei usando todos os tipos de drogas mais pesadas mesmo que nunca tenha colocado um simples cigarro na boca e tenha asco desse tipo de coisa. É como se meu próprio organismo estivesse me enviando um pedido urgente de socorro, para que eu pare de ser estúpida ao ponto que tenho chegado. Mas que merda... sei que vou me arrepender desse post impetuoso quando estiver em completo estado de sanidade, mas agora o relógio é meu inimigo e eu tenho uma aula pra assistir e o mundo não pára por minha causa.
Eu tenho plena consciência de que para se viver em sociedade e aguentar os trancos diários a que somos submeditos é extremanente necessário que tenhamos uma certa dose de equilíbrio emocional. Mas que raios de coisa difícil de se conseguir! Eu acho que já estou tão intensamente saturada de informações e sensações me atacando por todos os lados que já não tenho mais controle sobre mim mesma e o troco se reflete na minha saúde... Se eu não conseguir me centrar nesses dois últimos meses que eu tenho antes de fazer aquela droga de prova que me desespera desde o ínicio do ano, quando for a hora eu já serei uma completa hipocondríaca. Eu sei que meus problemas não são o fim do mundo e é exatamente isso que me frusta! Se uma coisa tão fútil como uma prova de vestibular consegue fazer todo esse estrago psíquico e emocional comigo, eu fico me indagando quando algo sério de verdade estiver por acontecer.... Agora mesmo eu tenho trilhões de coisas pra fazer, mas a ansiedade dentro de mim anda me corroendo! Precisava de um tempo pra tentar colocar tudo isso pra fora de um jeito ou de outro. Meus dedos sobre o teclado se manifestam antes que eu consiga enviar alguma informação formulada até o meu cérebro e a sensação que tenho é a de que eu andei usando todos os tipos de drogas mais pesadas mesmo que nunca tenha colocado um simples cigarro na boca e tenha asco desse tipo de coisa. É como se meu próprio organismo estivesse me enviando um pedido urgente de socorro, para que eu pare de ser estúpida ao ponto que tenho chegado. Mas que merda... sei que vou me arrepender desse post impetuoso quando estiver em completo estado de sanidade, mas agora o relógio é meu inimigo e eu tenho uma aula pra assistir e o mundo não pára por minha causa.
Friday, September 05, 2008
o direito de se ser quem se é
Tenho quase certeza absoluta de que não existe nada que me irrita mais do que aquela antiga frase: "Pára de reclamar, tem tanta gente pior do que você!" Eis aqui uma dica: Se você tem algum amor pelos seus ouvidos nunca diga isso pra mim, a menos que queira me ver incorporando a alma de um fascista exarcerbado. Essa ignorância me proporciona asco. Por Deus, já é hora de as pessoas aprenderem a ter um pouco de bom senso! Não é porque eu não nasci na Somália ou na Etiópia e não passo fome diariamente que eu não tenho o direito de chorar, que eu não tenho o direito de dizer que já sofri na vida, que alguma coisa me machuca ou até mesmo que certas coisas que acontecem comigo não são justas. Afinal, acho que a "culpa" de não ter o mesmo tipo de sofrimento que algumas pessoas já tiveram não é minha. Eu continuo sendo humana mesmo que não passe fome, mesmo que tenha pai e mãe, mesmo que estude em colégio particular e possa ir ao cinema aos fins de semana com os amigos. Não é porque eu reclamo sobre alguns aspectos que eu não dou valor àquilo que tenho, são coisas completamente distintas. Eu não vou deixar de ser humana devido as minhas condições de existência. Cada um sabe aonde dói mais forte dentro do peito, cada um sabe aonde o seu orgulho machuca, isso é fato e deve(ria) ser respeitado. Tudo depende de um referencial, tudo é extremamente relativo. E se você não tem tato pra lidar com as pessoas, o melhor que você tem a fazer é calar a boca. Acho que já passou da época de venderem semancol nas farmácias.
Saturday, July 26, 2008
simples e fácil (não)
O mais surreal sobre o amor é que mesmo que ele possua toda essa fama desalentadora sobre angústia, as pessoas não abandonam o ímpeto de amar quando possuem tal opotunidade e nem mesmo tentam se esquivar quando ele te prende contra a parede. Talvez seja porque é gostoso em demasia poder sonhar com a felicidade personificada, seguindo-nos por toda a parte e garantindo chuvas de sorrisos involuntários. E quanto ao maldito sofrimento, a gente dá porrada depois, porque convenhamos, felicidade é uma delícia.
"I want you near, like a shadow in my way"
"I want you near, like a shadow in my way"
Friday, July 25, 2008
couldn't be better
Ele foi despedido ontem à tarde enquanto alguém roubava seu carro lá fora. A namorada o havia deixado na terça-feira, seu tcc não foi aprovado pela banca da faculdade na semana passada, e pra piorar, chovia absurdamente enquanto ele caminhava de volta pra casa depois de descobrir que fora ao supermercado sem levar a carteira. E é nessa hora que ele se pergunta: "O que mais poderia dar errado?" E é aqui que eu respondo: Oh baby, pare de invocar a Lei de Murphy! Já que você (obviamente) está na merda, pra que querer ficar mais na merda ainda? Aproveite a falta de compromisso ao menos uma vez na vida e vá se embebedar ao som de um bom e velho rock and roll com uma daquelas garrafas de vinho francês que há tanto tempo você tem guardado para alguma droga de ocasião especial que nunca chegou. Aumente o som no último, e não desligue a menos que seus vizinhos chamem a polícia. Frite batatas e as coma com queijo sem se importar com quantos abdominais você terá que fazer depois pra perder essas calorias a mais. E por fim, coloque um sorrisão abestalhado na cara e invoque a Lei de Murphy inversa, dizendo para si mesmo: "Não podia estar melhor!". E só DEPOIS disso ouse sair de casa para procurar outro emprego, comprar outro carro e arrumar outra namorada. Mas por favor, não seja burro o suficiente de ir fazer isso enquanto ainda estiver sob o efeito do vinho francês.
Monday, July 21, 2008
eu não te conheço, mas odeio você.
Eu não tenho a mínina idéia de quem você seja. É, não tenho a menor noção. Não sei aonde você mora, não sei das coisas que você gosta, não sei se já sofreu na vida ou se sempre foi a filhinha da mamãe. Não sei sua idade, não sei se o seu cabelo é tingido ou se é natural. Não sei se já passou fome alguma vez na vida, não sei como é seu humor, se morre de cólicas todo mês, se trabalha, se faz faculdade ou qualquer droga desse tipo. E também não sei se você se importaria ou não, se soubesse que eu te odeio. De verdade, eu não sei. Mas eu odeio você. Você tirou de mim aquilo que eu sempre tentei guardar à sete chaves, aquilo de mais precioso, que eu mais tinha medo de perder. Não duraria muito, de qualquer jeito, mas eu sempre me recusei a acreditar de que um dia ele iria embora, me recusei a acreditar que alguém fosse capaz de tira-lo de mim. E você tirou. O seu encanto venceu o meu, de todas as formas, e fez com que todas as promessas que um dia ele me havia feito fossem jogadas para o alto (e agora, provavelmente direcionadas para você), junto com um último beijo e só o que ficou foi a minha incansável e estúpida espera por outro telefonema. Eu não consigo mais ouvir o nome dele sem pensar em você, sem pensar no quanto eu odeio você. Eu não consigo mais ouvir histórias de amor recíproco porque me dói lá dentro. E também não consigo mais sorrir, sabe? Quando tento, o meu sorriso fica deformado, falso. Porque a angústia que você me faz sentir é muito maior do que qualquer tentativa de estampar o símbolo da felicidade no meu rosto para que os desconhecidos pensem que sou feliz. Já faz tanto tempo que tavez ele nem se lembre mais, mas eu me lembro nitidamente das noites passadas em claro, querendo desesperadamente ir pra rodoviária e pegar o primeiro ônibus ao encontro dele, e dizer tudo aquilo que guardei comigo durante tanto tempo, e que a cada dia, me machucava mais. Mas quando penso em como essa cena seria ridícula, o que me resta é a solidão, a noite, a insônia, e o meu ódio por você. Algumas vezes cheguei a gritar durante a noite, mordendo o travesseiro para abafar os soluços de dor, sabia? É claro que você não sabia, e tampouco sabe agora. Alguns meses depois, minhas lágrimas secaram, mesmo com as lembranças ainda vivas e o cheiro dele impregnado em tudo que eu tocava. E eu cheguei a pensar que estava curada, já que "o tempo cura tudo", não é? O cacete que cura. Deixei de chorar porque não tinha tempo para tal, pois ocupava meus dias ao máximo pra que meus pensamentos não caissem sobre ele outra vez...
Agora, devo admitir que não odeio você, contudo, poder culpar-te pelas dores que me sufocam é de um alívio enorme para mim. Mas na verdade, o que eu sinto por você é pena, porque um dia, minha dor será sua e você culpará incessantemente à alguma outra que também haverá de sofrer depois de você.
Agora, devo admitir que não odeio você, contudo, poder culpar-te pelas dores que me sufocam é de um alívio enorme para mim. Mas na verdade, o que eu sinto por você é pena, porque um dia, minha dor será sua e você culpará incessantemente à alguma outra que também haverá de sofrer depois de você.
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